O que queremos dizer por decisões estratégicas de TI?

Um dos maiores desafios para qualquer empresa de TI é encontrar formas de se diferenciar dos concorrentes. Assim seja interno ou externo o provedor de TI terá sempre os adversários dentro de seu mercado; grandes empresas do mercado de tecnologia, consultorias, as unidades de negócios funcionais com a sua própria TI, e assim por diante. Sua estratégia terá de incluir planos e objetivos para encaminhar você à sua visão de negócio.

Hoje as atividades de estabilidade e consistência na manutenção da infraestrutura são inerentes à profissão de TI e no desenvolvimento destes temas; interessa-nos o desafio do diferencial competitivo, o que em muitos casos, depende da tecnologia, em constante mudança e em todos os casos é subordinado à gestão realizada por profissionais envolvidos na gestão desses recursos tecnológicos. Esta é a chave.

A pergunta que vem à mente: É sustentável esta diferenciação competitiva?

 Vemos duas respostas possíveis:

1- Não, se essa sustentabilidade depende exclusivamente de atualização tecnológica.

2- Sim é, se depender da gestão de talentos que fazemos dos profissionais de TI.

 Em todas as empresas as pessoas tomam decisões estratégicas que estarão ligadas ao seu propósito como um ente que busca a continuidade em seus negócios: fazer dinheiro para seus acionistas, a seus sócios ou beneficiar a organização em que atua.

 Os objetivos estratégicos são, por exemplo, entrando em um novo setor de mercado, melhorar o ROI, aumentar a receita, melhorar SLP (Service Level Package) que lhe deem essa diferenciação competitiva, e assim por diante. Aqui, a organização poderia, em determinado momento sacrificar algo – rentabilidade, etc- mas jamais, sob hipótese alguma deve abandonar a criação de valor em seus serviços. A criação de valor é a razão de sua existência.

 Em um provedor de TI externo ou interno há somente duas decisões estratégicas relacionadas com a sua:

  • Portfólio: aqueles que têm a ver com serviços de TI e seus níveis definidos em cada SLP.
  • Competência: aquelas relacionadas com a sua posição no mercado em que atua e que realmente lhe dão vantagens competitivas.

Obviamente, ambas as decisões não são independentes. Quando se define o portfólio de serviços se verá a viabilidade do mesmo, que dependerá diretamente dos recursos e capacidades disponíveis. A definição de SLP definirá a sua posição competitiva e terá que analisar quanta sinergia provoca nos outros serviços do catálogo. Estas são as decisões estratégicas fundamentais, essenciais, que não podem ser ignorados ou deixadas para analisar quando o cliente pede algo.

 Gestão de talentos de TI da empresa deve considerar que os integrantes de toda a organização têm uma atividade transversal na empresa, pelo que é necessário que possuam os seguintes recursos:

  1. Geral: conhecimentos gerais, motivação, cooperação, trabalho em equipe, valores, etc.
  2. Específico: relacionados a sua atividade técnica, sua experiência, gestão de erros, etc.
  3. Sistêmicas ou de gestão: todas aquelas habilidades necessárias para tomar decisões estratégicas mencionadas acima: pensar, avaliar, investigar, descobrir, promover, atribuir / realocar recursos, monitorar, melhorar … a criação de valor.

Pense sobre suas habilidades e pergunte a si mesmo:

  • Tenho as três? Então eu posso / não posso participar de decisões estratégicas. Se não as tem, não critique as de nível superior. Se você está no comando e não as tem, deve dar participação a quem tenha.
  • Me falta alguma (habilidade) genérica? Encontrar uma maneira de consegui-la ou mudar a atitude; compreender os outros, fazer perguntas, etc.
  • Me falta alguma específica? Estude, aprenda, peça dados, analise, forme-se.
  • Me falta alguma sistêmica? Bem-vindo! Entre no mundo da gestão e da governança, observe o que fazem as maiores, não as copie, mas aprenda.

Uma última reflexão: o aprendizado tem 3 níveis: aprendizagem (ensino, estudo), aprender a aprender (abertura, aplicar-se) e aprender a desaprender (despojar-se do inútil). Possuindo esses três níveis irá equilibrar capacidade e será o gestor da mudança organizacional.

 (Traduzido, fonte: Oscar Corbelli)