Lições de Stranger Things para os profissionais de TI.

Mesmo que ainda não tenha assistido (aconselhamos a assistir) com certeza você já deve ter visto todo o alvoroço em torno da série original da Netflix “Stranger Things”.

Um vídeo simpático aqui com algum ator mirim do elenco, outro meme ali, com certeza mesmo sem saber uma vírgula da trama é praticamente impossível encontrar alguém que possua acesso a redes sociais que não tenha se deparado com alguma menção à série.

E todo esse frisson não é por menos, afinal, a websérie americana de suspense, ficção científica e terror soube como mexer com a nostalgia daqueles que viveram na era do VHS, dos primeiros consoles de videogame (lembram do Atari?), enfim da era pré internet.

Sem spoilers, a trama ambientada no ano de 1983, na fictícia cidade de Hawkins, Indiana conta a odisseia quântico-paranormal de Mike Wheeler e seus amigos que saem à busca de seu amigo Will Byers que desapareceu misteriosamente sem deixar rastros.

Enquanto procuram por respostas, a polícia local, a família e os amigos do menino acabam mergulhando em um extraordinário mistério envolvendo um experimento secreto do governo, forças sobrenaturais e uma garotinha muito estranha chamada Eleven (isso mesmo, onze é o nome dela) uma menina com habilidades muito incomuns.

Uma trama repleta de bom suspense, scifi e referências ao que há de melhor de Steven Spielberg, Stephen King e até Arquivo X.

Você com certeza deve estar se perguntando: ok, mas o qual a relação entre essa série e a minha vida profissional? Simples, muita coisa! Além dos emblemáticos e extravagantes personagens, sua estética e tensão narrativa, “Stranger Things” está repleta de lições que podem ajudar no seu trabalho como profissional de TI.

Acompanhe algumas dessas lições com a gente:

Seja flexível em relação a mudança e a inovação.

Os personagens da trama podem ser considerados “gente da gente”, não são o arquétipo dos heróis que exalam coragem, destemor, decisão… pelo contrário.

São indivíduos com complexos dos mais variados tipos, medos, inexperiência, talvez a maior virtude deles resida em boa medida na disposição de provar soluções novas, experimentar ideias até mesmo um tanto heterodoxas, novos métodos para resolver algum problema.

É até chover no molhado falar isso para alguém que lida com um setor tão inovador quanto o de TI, mas acredite, mesmo quem tem de lidar com inovação às vezes se rende à resistência, seja na adoção de novas metodologias, novas formas de gestão, parcerias, etc.

A galera importa!

O trabalho em equipe tão almejado pelas organizações na prática nem sempre é fácil de implementar. Montar a equipe dos sonhos depende de muitos fatores como o temperamento, talentos, aptidões e compatibilidade entre os integrantes.

Em “Stranger Things” por exemplo, nos primeiros episódios várias pessoas seguem pistas diferentes sem se comunicar umas com as outras.

A trama fica cada vez melhor quando todos começam a se ajudar e a trabalhar juntos, e só assim é que conseguem chegar perto de solucionar os problemas. A comunicação é o que une as pessoas, e a união faz a força.

Todos os elementos são valiosos e contribuem com algo importante, mas a soma continua sendo infalível.

Combine conhecimento e risco, sim!

O conhecimento prévio, a teoria, se combinam de maneira exitosa se se detém coragem suficiente para arriscar.

Foque melhor os esforços da empresa e enriqueça o processo de aprendizagem, na série, os protagonistas sabem coisas, leem muito, investigam e logo e colocam em ação tudo o que foi aprendido.

Isso faz que seus planos tenham uma margem de erro pequena. O chamado risco calculado.

Há quem diga por aí que uma boa estratégia é um misto de conhecimento, inspiração e risco, em toda avaliação de conflitos e objetivos e isso vale tanto para os personagens da série, como para os gestores de TI, por exemplo.

Afinal, sabe-se que as coisas nem sempre podem sair do modo como se espera…

E quanto a isso não há muito o que fazer, a não ser buscar o máximo de informações, conhecimento e arriscar-se: se as coisas saírem de acordo com o planejado, teremos provado e capitalizado nosso ponto, caso contrário teremos uma lição inestimável.

Capitalize paixões e talentos.

É fato comprovado, que quando trabalhamos em algo que nos apaixona, o rendimento tende a ser melhor e isso reflete nos resultados finais.

Quando algo nos entusiasma, vamos além do dever e o pagamento se converte em uma consequência, não em um objetivo.

Em “Stranger Things”, nossos protagonistas são nerds apaixonados por ciências e RPG´s ( tipo de jogo em que os jogadores assumem papéis de personagens e criam narrativas colaborativamente) no desenrolar dos episódios volta e meia esses assuntos aparecem na trama.

E na hora de enfrentar conflitos mais sérios, essas paixões são suas grandes aliadas e guias para avançar e não se deixarem vencer pelo desconhecido (diga-se de passagem, bem desconhecido), servindo inclusive como base para sair de algumas enrascadas.

E o que isso tem a ver com TI? Uma equação que não tem como dar erro no suporte, por exemplo, combina conhecimento técnico, paixão por tecnologia e por resolver os problemas e dúvidas dos usuários…

Se contar com ferramentas de ponta, como um bom software de help desk, melhor ainda!

Confie no seu taco.

Pode até soar um tanto repetitivo, mas não se engane, trata-se de uma lição certeira: se há alguém que deve crer no seu trabalho e no que faz antes de todos, é você mesmo(a).

Nossos personagens acreditam nessa voz interior, nesse instinto, que lhes sussurra que não se entreguem, por mais inverossímil que seja a situação.

Há momentos que o pessimismo toma conta do mercado, toma conta da equipe, o projeto sai fora do planejado e só nos resta acreditar em nossa intuição de que tudo dará certo.

Certamente você já deve ter visto algum meme ou referência às luzinhas piscantes, certo?

Sem cair em spoilers, podemos afirmar que a personagem de Winona Ryder (Joyce Byers, mãe do garoto desaparecido) teve de ter muita coragem para acreditar em sua intuição e transformar as luzinhas em uma placa de Ouija gigante na sua parede para se comunicar com o outro mundo, mesmo sob o risco de parecer maluca.

Medos e obstáculos? São feitos para se superar.

Como mencionamos acima os personagens de “Stranger Things” são cativantes não por serem modelos de heroísmo, determinação e autoconfiança, mas sim, por serem pessoas como nós: são desajeitados, possuem mais dúvidas que certezas, tem suas fragilidades emocionais e psicológicas, como todo e qualquer ser humano.

A personagem Eleven, por exemplo, é o que se pode chamar de uma super heroína, mas não é do tipo carismático, grandiloquente que conquista todo mundo.

Pelo contrário, ela é tímida, inicialmente possui vocabulário bem limitado e tem dificuldade em confiar nas pessoas, mas sempre faz tudo o que pode pelos amigos.

Toda a dedicação não só dela, mas de todos os envolvidos em procurar o Will, é um exemplo de perseverança e motivação de que temos de lutar pelo o que queremos.

Sabe aquela certificação que você tanto almeja? Buscar a excelência pessoal, profissional, superar o máximo de limitações e barreiras, tanto de ordem interna como externa, é mister para subir de nível e alcançar nossos objetivos.

Superá-los não só nos dá tranquilidade, como também nos abre outro panorama que antes para nós era inimaginável.

Por fim a lição mais importante: divirta-se!

As crianças de “Stranger Things” possuem um humor constante, uma certa dose de alegria, mesmo nas situações mais graves.

Talvez o seu trabalho não seja o mais “divertido do mundo”, no entanto, já que é nele que você passa a maior parte do seu tempo, porquê não passar bem?

Cada dia é único e valioso e se você é um profissional de TI que tem de lidar com suporte por exemplo, mais do que ninguém tem de saber que lida com gente; sejam essas pessoas usuários buscando sua ajuda ou seus próprios companheiros de equipe.

E todas essas pessoas absorvem o melhor e o pior de você, de forma consciente ou não e o mesmo vale para você. Se você desfrutar do seu trabalho em todos os momentos, os resultados serão mais contundentes.

E aqui cabe também um recado direto para os gestores de TI: fatores como gestão, clima organizacional e qualidade de vida impactam tanto quanto o salário na hora de reter talentos. A humanização do ambiente de trabalho precisa ser uma realidade no setor de TI.

Melhora não só o ambiente, mas também impacta na motivação e na qualidade de vida de cada membro da equipe, por isso vale a pena se debruçar sobre esse assunto.

E no mais, você já assistiu a série “Stranger Things”? O que achou? O que mais podemos aprender com essa obra de arte das telinhas? Conta pra gente! 😉