Não se renda ao lado sombrio da força ou porque os gestores de projetos não devem ser como Darth Vader (contém spoilers).

Se você é aficionado por ficção científica e cultura pop ou ao menos conhece algum ou outro assunto sobre o tema, com certeza deve saber quem é o temido Darth Vader.

Mas se você não tem ideia de quem estamos falando, antes de começar temos de perguntar: de que planeta você veio?

Feitas as considerações iniciais, vamos a uma breve introdução: Darth Vader, nascido Anakin Skywalker, é o protagonista e antagonista da série de filmes Star Wars (Guerra nas Estrelas), tendo participado em todos os seis filmes (A Ameaça Fantasma, Ataque dos Clones, A Vingança dos Sith, Uma Nova Esperança, O Império Contra-Ataca e O Retorno do Jedi). Suas principais características são a armadura negra e a ruidosa respiração mecânica.

É constantemente citado na cultura pop como um dos personagens mais icônicos de todos os tempos (mesmo usando a força para lançar inimigos à distância, ou sufocar colaboradores que não cumpriram a contento suas ordens).

Você deve estar se perguntando o porquê deste texto, não é? Justamente para mostrar o que um gestor de projetos de TI não deve ser e fazer. Acompanhe.

Não tem tolerância para erros e não os permite.

Cada vez que alguém se equivoca usa a força para matar esta pessoa. Há alguma opção intermediária? Não!

Não há qualquer preocupação em relação às circunstâncias da eventual falha ou problema, se ocorreram eventos alheios à vontade do colaborador ou não, se haviam atenuantes que justificassem o ocorrido, se as circunstâncias obrigaram a esse desenlace.

Para Lorde Vader não há nada que justifique a falha:

Falha = Morte

Esta forma de atuar tem repercussões diretas nos projetos, no modo como os colaboradores farão seu trabalho.

Ao exercer a política de tolerância zero, e por assim dizer, utilizar a “força” o gestor acaba por matar a iniciativa de seus colaboradores, sendo muitas vezes este o motivo da alta rotatividade de funcionários na empresa.

Errar é humano, até mesmo bons profissionais podem se equivocar e se a empresa age de modo inflexível e “mata” seus colaboradores porque o resultado foi diferente do planejado, quem sai perdendo é a organização.

Sem contar que as chances de tolher a iniciativa do colaborador são grandes, pois este buscará apenas agradar ao “Lorde” fazendo apenas o básico, o que dele se espera sem maiores contribuições que poderiam, por exemplo, reduzir custos.

Lorde Vader não sabe delegar.

É normal que Lorde Vader em pessoa tenha que ir combater os rebeldes ele mesmo? Por mais que ele domine o lado negro da força?

As pessoas da equipe estão para assumir parte das tarefas e isso significa muitas vezes que devem realiza-las por sua conta, por seus meios, com suas capacidades e apresentar os resultados.

Como dizia Steve Jobs: Não tem sentido contratar pessoas inteligentes e depois lhes dizer o que devem ou não fazer.

E cá entre nós, agora estamos sós e Darth Vader não nos escuta, ele não é infalível, também se equivoca e, portanto pode aprender muitas coisas com sua equipe se calçar as sandálias da humildade.

Não sabe atrair e nem reter talentos.

Cuidado com spoiler, mas vamos lá: Quando tenta atrair uma jovem promessa (Luke Skywalker) para o lado sombrio da força não é capaz de apresentar-lhe uma oferta irrecusável.

Afinal estamos falando de um jovem que pode vir a derrotar o imperador. Em que está pensando Lorde Vader?

Primeiro tenta convencê-lo meramente pelo poder do lado negro da força, que uma vez claramente recusado por Luke tenta convencê-lo apelando para chantagem emocional revelando-lhe ser seu pai e que juntos poderiam dominar a galáxia.

Podemos dizer que Darth Vader pecou em excesso de falta de empatia, como muitos gestores ao não entender as necessidades dos demais.

Deveria ter se preocupado com as reais motivações de Luke, o que realmente o interessava e essa lição vale principalmente na hora de lidar com colaboradores da chamada geração Y, que tal qual o mocinho de Star Wars talvez não se interessem a aderir ao lado negro da força ou tornarem-se ditadores da galáxia.

Não ensina pelo exemplo.

Ainda que Darth Vader exija lealdade de seus subordinados principalmente através do medo, o mesmo não é leal ao imperador (seu chefe), já que quando fala com Luke lança a proposta de juntos derrotarem o imperador e dominar a galáxia.

A premissa é simples: Se você mesmo atua contra seu chefe, sua equipe entenderá que é lícito atuar contra você também.

Um gerente de projeto deve ser o exemplo do que ele pede, porque caso contrário a equipe irá fazer o que ele faz não o que ele diz.

O exemplo deve vir também de quem exige.

Não faz gestão de riscos.

Gestão de riscos? Ao que parece para Lorde Vader é para os fracos. Vejamos:

– Menospreza os rebeldes;

– Deixa que lhe roubem os planos da estrela da morte e não faz nada;

– Deixa que os rebeldes se aproximem para destruir a estrela da morte;

– Não só destroem a estrela da morte, como também destroem a que estava sendo construída;

– Permite que Luke um Jedi poderoso e potencialmente perigoso para o imperador escape com vida;

Para que sua capacidade para avaliar riscos e estabelecer planos de ação não é das melhores (talvez por crer demais no lado negro da força), quase dá a entender que está lá por ser o menino bonito do imperador e não o talentoso.

Darth Vader confia cegamente no poderio militar do império e em seu domínio do lado escuro da força, motivos que o levam a fracassar em quase todas as empreitadas contra os rebeldes.

Bem não é nossa intenção fornecer uma visão completa e única deste controverso personagem. Esta é apenas uma nuance com certeza muitos fãs terão outra visão e outros conceitos.

Mas baseado no que foi elencado resta alguma dúvida de que Darth Vader não só está do lado escuro da força, bem como, do lado sombrio da gestão de projetos?

(fontes: wikipédia, TIlab)